A ação dos Estados Unidos que capturou o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, foi uma surpresa, para muitos. Mas, de acordo com fontes da agência de notícias Reuters, o planejamento de uma das operações mais complexas dos EUA recentemente estava em andamento há meses e incluía ensaios detalhados.
As tropas de elite dos EUA, incluindo a Força Delta do Exército, criaram uma réplica exata do esconderijo de Maduro e praticaram como entrariam na residência fortemente fortificada.
A CIA, a agência de inteligência americana, tinha uma pequena equipe na Venezuela desde agosto, que foi capaz de fornecer informações sobre o padrão de vida de Maduro, o que tornou a captura dele mais fácil, de acordo com fontes da CNN e da Reuters.
Duas outras fontes disseram à Reuters que a CIA também tinha um “ativo” próximo a Maduro que monitorava seus movimentos e estava pronto para identificar sua localização exata à medida que a operação se desenrolava.
Com as peças no lugar, Trump aprovou a operação há alguns dias, mas os planejadores militares e de inteligência sugeriram que ele esperasse por condições climáticas melhores e menos nuvens.
Às 22h46 de sexta-feira (2), no horário de Washington, Trump deu o aval final para o que seria conhecido como Operação Resolução Absoluta, segundo o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos EUA, general Dan Caine.
Então, Trump assistiu a uma transmissão ao vivo dos eventos cercado por seus assessores na mansão de Mar-a-Lago, em Palm Beach, na Flórida.
Os detalhes do desenrolar da operação, que durou horas, baseia-se em entrevistas com quatro fontes familiarizadas com o assunto e em detalhes revelados pelo próprio Trump.
“Já fiz algumas operações muito boas, mas nunca vi nada parecido com isso”, afirmou o presidente à Fox News poucas horas após a conclusão da missão.
Trump formou equipe para planejar operação
De acordo com uma das fontes, Stephen Miller, um importante assessor de Trump, o secretário de Estado Marco Rubio, o secretário de Defesa Pete Hegseth, e o diretor da CIA, John Ratcliffe, formaram uma equipe central que trabalhou na questão durante meses com reuniões e telefonemas regulares, às vezes diários.
Eles também se reuniam com frequência com o presidente dos EUA.
No final da noite de sexta-feira e no início de sábado, Trump e seus assessores se reuniram enquanto várias aeronaves americanas decolavam e realizavam ataques contra alvos dentro e perto de Caracas, incluindo sistemas de defesa aérea, de acordo com um oficial militar dos EUA.
O general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos EUA, disse que a operação envolveu mais de 150 aeronaves lançadas de 20 bases no Hemisfério Ocidental, incluindo jatos F-35 e F-22 e bombardeiros B-1.
“Tínhamos um jato de combate para cada situação possível”, destacou Trump ao programa “Fox & Friends”, do canal Fox News.
Fontes afirmaram à Reuters que o Pentágono também havia se deslocado discretamente para a região, reabastecendo aviões-tanque, drones e aeronaves especializadas em interferência eletrônica.
Autoridades dos EUA disseram que os ataques aéreos atingiram alvos militares. Imagens feitas pela Reuters na base aérea de La Carlota, em Caracas, mostraram veículos militares carbonizados de uma unidade antiaérea venezuelana.
Com os ataques em andamento, as Forças Especiais dos EUA entraram em Caracas fortemente armadas, inclusive com um maçarico para o caso de terem que cortar as portas de aço da casa de Maduro.
Por volta da 1h de sábado, no horário de Washington, as tropas chegaram ao complexo de Maduro no centro de Caracas e foram atacadas a tiros, ainda segundo Caine. Um dos helicópteros foi atingido, mas ainda conseguiu voar.
Vídeos de rede social postados por moradores mostraram um comboio de helicópteros sobrevoando a cidade em baixa altitude.
Então, os soldados, acompanhados de agentes do FBI, a agência federal de investigações dos EUA, chegaram ao esconderijo de Maduro, que foi descrito por Trump como uma “fortaleza altamente protegida”.
“Eles simplesmente entraram e arrombaram lugares que não podiam ser arrombados, como portas de aço que foram colocadas lá exatamente por esse motivo”, ressasltou o republicano.
“Eles foram levados para fora em questão de segundos”, adicionou.
Maduro sob custódia
Ainda segundo o chefe militar dos EUA, quando os soldados estavam dentro do esconderijo, Maduro e sua esposa se renderam.
Trump disse que o líder venezuelano havia tentado chegar a uma sala segura, mas não conseguiu fechar a porta.
“Ele foi atropelado tão rapidamente que não conseguiu entrar”, comentou.
Alguns integrantes das forças dos EUA foram atingidos, mas nenhum foi morto.
À medida que a operação se desenrolava, Rubio começou a informar aos parlamentares que ela estava em andamento.
As notificações só começaram após o início da operação e não antes, como é de praxe para os principais parlamentares que desempenham um papel de supervisão, disseram as autoridades à Reuters.
Quando as tropas americanas deixaram o território venezuelano, disse Caine, elas se envolveram em “vários engajamentos de autodefesa”.
Às 3h20, no horário de Washington, os helicópteros estavam sobre a água, com Maduro e sua esposa a bordo.
Quase exatamente sete horas depois que Trump anunciou a operação na Truth Social, ele fez outra postagem.
Dessa vez, era uma foto do líder venezuelano capturado com os olhos vendados, algemado e vestindo uma calça de moletom cinza.
“Nicolás Maduro a bordo do USS Iwo Jima”, escreveu Trump, referindo-se ao navio de guerra dos Estados Unidos.
