O sétimo encontro entre Donald Trump e Vladimir Putin está prestes a acontecer. Os líderes das duas grandes potências vão se encontrar na sexta-feira (15) em Anchorage, no Alasca, para discutir a guerra na Ucrânia.
A escolha do local, no entanto, levantou dúvidas: Por que o Alasca?
O território foi comprado da Rússia, conhecida então como Império Russo, em 1867 por US$ 156 milhões. O Alasca foi incorporado oficialmente aos EUA em 1959. A transação entre os países, no entanto, foi alvo de críticas pelos russos, que posteriormente alegaram que o país recebeu “tratamento injusto” na negociação.
O local escolhido também é simbólico e oportuno para o presidente americano. A base Elmendorf-Richardson demonstra poderio militar e conta com mais de 5.500 militares e civis.
A construção da base aconteceu entre 1940 e 1941 perto da cidade de Anchorage, no Alasca, em um contexto de tensão e preparação pela Segunda Guerra Mundial. Anteriormente, o local foi utilizado estrategicamente pelos EUA como uma linha de frente à ameaça russa durante a Guerra Fria.
Hoje, a ala mantém US$ 15 bilhões (equivalente a R$ 80,8 bilhões) em infraestrutura, abrangendo mais de 34 mil hectares. A instalação também é sede do Comando do Alasca e tem “parceria única” entre três alas da Força Aérea, uma Brigada do Exército e diversas unidades inquilinas.
EUA não são signatários do TPI
Além do histórico do Alasca com os russos, outras questões complementam a escolha. Vladimir Putin está sujeito a um mandato de prisão emitido pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), em 2023.
O TPI acusou o líder russo de ser “supostamente responsável pelo crime de guerra de deportação ilegal de (crianças)” de áreas ocupadas da Ucrânia para a Rússia. O Kremlin classificou as ações do tribunal como “ultrajantes e inaceitáveis”.
A medida exige que o mandatário seja preso em países signatários do Estatuto de Roma, que criou o tribunal em 2002.
Devido a essa determinação, Putin tem sido cuidadoso na escolha de seu itinerário. Em 2023, ele recusou um convite para uma cúpula na África do Sul. Putin também não veio ao Brasil em julho para participar da Cúpula do Brics, no Rio de Janeiro. Porém, o presidente russo já viajou para a China e para a Coreia do Norte, países que não são signatários do tribunal.
No entanto, os Estados Unidos não são signatários do Estatuto de Roma, por isso, o líder não corre o risco de ser preso durante o encontro com Putin no Alasca.
Ligados pelo Estreito de Bering
O Alasca é território americano mais próximo da Rússia. Apenas o Estreito de Bering, que liga o oceano Pacífico e Ártico, os separa.
Após a confirmação do encontro entre os líderes, o assessor presidencial russo, Yuri Ushakov, destacou a proximidade entre as nações. “Parece bastante lógico que nossa delegação simplesmente sobrevoe o Estreito de Bering, e que uma cúpula tão importante e esperada entre os líderes dos dois países seja realizada no Alasca”, disse Ushakov.
Donald Trump intensificou a pressão para que a Rússia coloque fim à guerra no leste europeu nas últimas semanas. O líder americano prometeu ainda consequências “severas” se Moscou não concordar em encerrar o conflito.
Trump já havia ameaçado novas sanções contra o governo russo como punição pela guerra na Ucrânia, estabelecendo a sexta-feira (8) passada como prazo para que Putin negociasse.
Porém, o prazo passou sem aplicação de novas sanções, que poderiam ter efeito limitado, dados os baixos níveis de comércio entre os EUA e a Rússia.
O presidente dos EUA também ameaçou impor sanções secundárias aos países que compram energia russa. Embora tenha imposto novas taxas à Índia, o segundo maior comprador de petróleo russo, ele não chegou a impor as novas tarifas do tipo.